segunda-feira, 15 de junho de 2015

3. Cidade de Vidro.

Contém spoilers!! 

Sinopse: Para saber a vida de sua mãe, Clary deve viajar até a Cidade de Vidro, lar ancestral dos Caçadores de Sombras - podemos pular a regra que diz que entrar em Alicante sem permissão é contra a lei e ir contra a lei pode significar a morte? E também que chegar lá, criando um Portal sozinha, só mostra o quanto os poderes de Clary são sofisticados e como isso é perigo? Para complicar ainda mais, quando chega à cidade, ela logo descobre que Jace não a quer por perto(o que não se aplica a outras meninas...) e Simon, que nem queria estar ali, está sendo investigado por ser um vampiro que pode suportar a luz do sol. Nem o fora de Jade nem estar quebrando as regras irão afastar Clary de seu objetivo: encontrar Ragnor Fell, o feiticeiro que pode ajudá-la a curar a mãe. Para localizar o bruxo, Clary contará com um misterioso aliado, Sebastian, um Caçador de Sombras(quase) irresistível. À medida que se aproxima de respostas, Clary conhece mais sobre seu passado - e consequentemente sobre o passado de seu irmão.... A Clave está reunida. Todos sabem que Valetim, fortalecido como nunca, está convocando um exército para exterminar os Caçadores de Sombras e conseguiu os Instrumentos Mortais. Aparentemente, a única chance de sobrevivência é unir forças: Caçadores e integrantes do Submundo. É possível esquecer as diferenças e o preconceito de séculos para lutar lado a lado? E Clary, dividida pelo que sente por Jace, conseguirá se armar de seus novos poderes para salvar a Cidade de Vidro - custe o que custar? Jace já se decidiu: vai arriscar tudo por ela. O amor é um pecado mortal e os segredos do passado serão decisivos para Clary e Jace neste terceiro volume da série Os Instrumentos Mortais, best seller do New York Times como milhões de exemplares vendidos no mundo.



Não sei exatamente o que dizer porque sou meio péssima com resenhas, se é que isso é possível.  E também porque não importa o que eu diga, nada do que eu disser, vai mostrar realmente como é...

Neste livro é onde tuuuuudo é explicado. Todas as questões que estavam deixando um ponto de interrogação bem no meio da testa foram explicadas. Definitivamente, achei o melhor livro da série até agora e não é só por causa da ação e dos acontecimentos que quase me mataram do coração, mas sim por causa do desenvolvimento dos personagens, principalmente do Alec, que se mostrou ser um ótimo guerreiro, e que finalmente assumiu seu relacionamento pelo Alto Bruxo do Brooklyn, Magnus Bane. ♥  Falando em Alec, fico com um pouco de medo, porque digamos que a Cassandra está dando muita atenção a ele. Ele está se tornando um dos personagem mais importantes, chegando a ficar no nível de Jace e Clary.

 Observando o desenvolver da história, e de Clary, podemos ver que ela deixou de ser aquele peso morto que colocava todos em perigo. Ela se tornou uma pessoa forte, que queria mostrar a todos os seus poderes e do que era capaz de fazer. Neste livro, Clary se declarou uma pessoa que se recusa a ficar apenas observando.

Jace agiu pelas costas de Clary muitas vezes, mentindo para ela(mesmo que fosse para protegê-la), inclusive brigou com ela, tratando ela mal, sendo injusto com ela. . Jace estava mais sentimental e um pouco mais insano neste livro para falar a verdade.

Conhecemos o personagem Sebastian, que por sinal era muito querido e inteligente, assim como Jace. Sebastian, é a cópia legítima de Valentim, inclusive, mais perigoso e malvado que Valentim!!

Todos os personagens cresceram e muito, se tornaram uma versão melhor de si mesmos. Inclusive Isabelle, que teve uma conversa e tanto com Clary. ♥ Quase me fez chorar. Finalmente podemos ver a evolução de Jace pelos olhos de Isabelle, o que ela sentia por ele... Foi uma conversa bastante esclarecedora.

Não posso esquecer do Diurno... Quer dizer, SIMON!! *-* A participação dele em Idris/Alicante por mais que fosse contra lei, foi extremamente importante, assim como a de Luke! Luke se manteve o mesmo dos outros livros na verdade, mas Simon, ele simplesmente está maravilhoso como vampiro. Se aproximou mais de Alec, e estava um pouco mais amigo de Jace. O vampirismo caiu bem em Simon, ele deixou de ser aquele personagem nerd e começou a ser mais atraente. Me apaixonei por este Simon!!

Quando a Jocelyn apareceu, a mãe de Clary, a reação de Clary foi totalmente o oposto do que eu imaginava. Mas com a Jocelyn de volta ao jogo, muita coisa foi esclarecida.

Não preciso dizer o quanto estou adorando o Alto Bruxo do Brooklyn né?! Valentine conseguiu executar o plano que ele tinha desde o começo da saga, o que me surpreendeu bastante na verdade.. Mas o que me surpreendeu mais ainda, é como o desfecho do plano dele se seguiu, como deu tremendamente errado! Dos três que eu li até agora, confesso que mesmo conhecendo a história, Cidade de Vidro me surpreendeu bastante... Faz eu imaginar como irá começar o próximo.

Este livro é carregado com todos os elementos que são usados para fazê-lo. Emoções, batalhas, perdas(sim, um personagem morreu. dica: uma criança), traições, surpresas e até mesmo o sarcasmo. Falando em sarcasmo, quando Max morreu (irmão mais novo dos Lightwood), Jace ficou muuuuito na defensiva, ali ficou claro o quanto ele se importava e amava aquela família... 

E para quem gosta de um bom romance, fique tranquilo porque sim, tem cenas bonitinhas sim!! Entre Clary e Jace, Sebastian e Clary(eca, mas sim), Simon e Isabelle, Simon e Maia, Alec e Magnus... Muitas cenas me comoveram neste livro, anotei todas na verdade. Todas que eu tive um pingo de emoção, eu anotei. Mas já que estamos falando em romance, vou falar apenas UMA pra vocês!(quem é fã de Clace, vai adorar) Jace pede para passar a noite com Clary, sem sexo, sem se tocar, apenas dormir tranquilo com a pessoa que ele gosta ao lado dele, pois pode ser a última noite deles. (e realmente seria se não houvesse um anjo para ressuscitar Jace) Antes de ir embora, Jace escreve uma carta sincera para Clary explicando suas ações e escolhas - queria muito ler essa carta, porque no livro, não foi bem explicada na veerdade- . Ele revela seus verdadeiros sentimentos... Foi muito especial este momento, e esta carta, porque Jace é um personagem que tem seus sentimentos mais doces apenas para ele... 
Já que já revelei spoiler mesmo, só quero dizer mais uma coisa: Jace teve muitos momentos suicidas. Todos quase morreram na verdade enquanto estavam em guerra. Mas ainda bem que não, se não teria um ódio da autora. Ainda bem que tinha um anjo quando necessário para realizar o pedido de Clary, porque se não, eu teria um ódio enorme de Cassandra assim como eu tenho da Veronica(autora da trilogia Divergente)



Ficou claro que Os Instrumentos Mortais na verdade era para ser uma Trilogia, e não uma Saga. Então tudo, exatamente tudo que começou em Cidade dos Ossos, termina em Cidade de Vidro!! 

Sinceramente, estou com um pouco de receio em continuar a ler a saga. Cidade de Vidro foi meu livro preferido até o momento desta série, e terminou perfeitamente bem, de um forma linda, de uma forma tão perfeita que eu não vejo porque ter a continuidade.{vejo sim, só estou fazendo drama}  



sexta-feira, 5 de junho de 2015

XIX II

No fundo, eu sabia que nunca iria dar certo... Minha mente dizia: "Não, você não é bom para mim...", mas o meu coração me 'falava' e sentia outra coisa. 
O "eu te amo" que eu falei não foi da boca pra fora, meus sentimentos eram verdadeiros e fortes. Eles ainda são, e eu espero, sinceramente, que eles passem logo e não voltem nunca mais. 
Às vezes eu espero uma mensagem dizendo: "Sinto a tua falta, volta para mim"... Às vezes eu penso que não valeria a pena. Sempre quando toca o telefone, eu penso que é você me mandando alguma coisa. No fundo, não quero nunca mais que fale comigo, mas bem no fundo... Por que eu quero que fale comigo, eu quero que diga que sente saudades, e que não pode parar de gostar de mim assim, de um dia pro outro. 
Não acreditei nas tuas últimas palavras, e se eu não acreditei, foi por que tu fez com que eu pensasse desta maneira, que não se importava comigo. Eu tentei fazer dar certo. Não deu! Eu sei que uma parte disso, a culpa foi minha, mas uma parte bem pequena, por que eu entreguei meu coração para quem só me fazia mal. 
Poderia ter sido mais sincero comigo, se não era o momento para ficarmos juntos, não me fazia gostar e nem me apaixonar por ti se era para acabar assim. Se realmente gostasse de mim como dizia, isso não teria acontecido, faria de tudo para dar certo. 
Eu senti que foi mudando com o tempo, me tratando de outra forma, como se eu fosse qualquer outra que falasse contigo. Eu só queria um pouco de atenção e que fosse mais amável, mas não pôde me dar isso... Quero que saiba que me magoou muito, que eu realmente gostei(ainda gosto) de ti, não tem um momento em que não saia dos meus pensamentos. 
Espero que chegue logo o dia que eu não irei mais me importar contigo, nem querer saber o que está fazendo ou com quem está. E eu sei que vai chegar! 
Ass.: Gabriela J.M.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

duo milia et duodecim

E eu que pensava que ter te conhecido tinha sido o melhor que poderia ter acontecido na minha vida. Mas eu estava errada. Extremamente errada. 
Tudo o que você deixou foram mágoas, ressentimentos, e desejo. Desejo de nunca mais te ver pela frente. Desejo de voltar no tempo e fazer com que as coisas fossem diferentes. 
Eu me esforcei para fazer dar certo. Eu tentei. Juro que tentei. Enquanto você levou na brincadeira, eu considerava algo sério. E talvez seja esse meu trauma mais recente. Talvez seja esse o motivo de eu não conseguir me apaixonar novamente. Você é a pedra no meu sapato que eu tento esquecer, que eu tento fingir não estar ali. 
Gostaria que não fosse assim. Gostaria que as coisas fossem diferentes. Gostaria que por mais de não estarmos mais juntos, eu não tivesse ressentimentos. Evito escrever sobre você, porque escrever sobre tal, é o mesmo que voltar no passado, é o mesmo que ser aquela menininha tola da qual eu não sou mais. 
Mas a grande verdade, é que até hoje eu penso em ti, e penso no quanto tu me machucou, e no quanto eu tenho nojo de mim mesma por ter gostado um dia de ti. 
Claro que você não me trouxe só desgraça, você é o motivo de eu não confiar em mais ninguém. É o motivo do qual eu me mantenho mais solitária e até mesmo mais reservada. Você fez eu crescer, e por um lado eu te agradeço. Mas ainda desejo que nada tivesse acontecido. 


sexta-feira, 15 de maio de 2015

2. Cidade das Cinzas.

Para quem não leu o primeiro volume da saga, eu sugiro que não leia nada deste post. 
Para quem já leu o primeiro, mas não leu o segundo livro ainda, eu sugiro que não lei o terceiro texto.  CONTÉM SPOILERS!  
Sinopse: Clary Fray só queria que sua vida voltasse ao normal. Mas o que é "normal" quando você é uma Caçadora de Sombras especializada em matar demônios, sua mãe está em um coma magicamente induzido e você de repente descobre que criaturas como lobisomens, vampiros e fadas realmente existem? Se Clary deixasse o mundo dos Caçadores de Sombras para trás, isso significaria mais tempo com o melhor amigo, Simon, que está se tornando mais do que um simples "amigo". Mas o mundo dos Caçadores não está disposta a abrir mão de Clary - especialmente o belo e irritante Jace, que por acaso ela descobriu ser seu irmão. E a única chance de salvar a mãe deles parece ser encontrar o perverso ex-Caçador de Sombras Vantim, que com certeza é louco, mau... e também o pai de Clary e Jace.   Para complicar ainda mais, alguém na cidade de Nova York está matando jovens do Submundo. Será que Valentim está por trás dessas mortes? E se isso for verdade, qual seria o seu objetivo? Quando o segundo dos Instrumentos Mortais, a Espada da Alma, é roubada, a aterrorizante Inquisidora chega ao Instituto para investigar - e suas suspeitas caem diretamente sobre Jace. Como Clary pode impedir os planos malignos de Valentim se Jace está disposto a trair tudo aquilo que acredita para ajudar o pai? Nesta sequência de tirar o fôlego da série Os Instrumento Mortais, Cassandra Clare atrai os leitores de volta para o lado mais obscuro do Submundo de Nova York, onde amar nunca é seguro e o poder se torna a mais mortal das tentações. 
O que está escrito atrás: No mundo dos Caçadores de Sombras, ninguém está seguro. E agora que Clary descobriu fazer parte do perigoso Submundo, sua vida nunca mais será a mesma. Jace, seu recém-descoberto irmão, está cada vez mais impossível e não parece medir esforços para enfurecer a todos. E sua atitude de bad boy  não ajuda em nada quando, após o roubo do segundo dos Instrumentos Mortais, a Inquisidora aparece no Instituto para interrogá-la... Agora Jade é suspeito de ajudar o pai, o perverso Valentim, num plano que vai colocar em risco não só Idris ou o Submundo, mas toda a cidade de Nova York. E Clary não pode deixar de se perguntar: será que as ironias de Jace são só uma forma de chamar atenção, ou também pode haver uma traição por trás de tanto mistério?
E aí galerinha!! Como já avisei e aviso novamente, se não leram o livro, não leiam este texto porque contêm spoiler sim! 

Estou adorando ler essa saga. Obviamente, houve momentos que eu fiquei com certo "nojo" como por exemplo, o romance de Clary e Simon, eles não tem qualquer química para manter um relacionamento. Mas vamos em partes: 

Clary e Jace tem que lutar contra a atração que sentem um pelo outro, o que é bem angustiante para quem torce para o casal(obviamente, sim, eu torço muito para este casal e não acredito que sejam irmãos). Achei que o primeiro beijo de Clary com Jace tinha sido de tirar o fôlego, mas o segundo... Meu Deus ♥   Mais para o final do livro, Jace diz a Clary que sente muito por ter forçado a barra com ela, e que a partir daquele momento a veria apenas como irmã(justo quando ela ia se declarar para ele) 

Quanto aos Lightwwod, conhecemos principalmente Maryse. Mas também existem aparições de Robert que são os pais de Alex, Isabelle e Max, o irmão caçula. Maryse é a figura materna de Jace, e quando ela o "rejeitou" por causa das revelações do final do livro passado, partiu meu coração. Apesar de terem tido uma relação bem tumultuada, tudo se acertou no final do livro entre os dois, e foi lindo ver Jace e Maryse juntos. ♥  
Isabelle foi meio deixada de lado, não teve muitas aparições dela, mas mais do seu irmão Alec, que teve bastante desenvolvimento, principalmente no assunto de sua opção sexual, que não é nenhum segredo para quem leu o primeiro livro da saga. No início, eu não gostava de Alec, mas agora eu estou gostando dele, estou conhecendo melhor seu personagem. Estou amando ver ele com o Magnus Bane ♥ na verdade, não é que seja descrito com todos os detalhes, mas tem bastante insinuações... 

Mas voltando ao nosso querido Simon, talvez foi ele quem desenvolveu uma evolução mais interessante. De um personagem totalmente nerd , só servindo tecnicamente para formar um triangulo amoroso na história, foi para um personagem mais forte, e respeitável(até Jace o respeita mais). O surgimento de Maia também, a licantrope do bando de Luke, deve melhorar ainda mais o enredo em si. 

Eu não ia contar para vocês porque isso é um baita spoiler, MAS...  Quase chorei quando Valentim quase matou Simon, deixando apenas um pouco de sangue no corpo para ficar sofrendo... E adivinha quem o salvou dando o próprio sangue?! Clary!! #SQN!!! HAHAHAHAHA, Jace o salvou *-* E não sei se tem algo a ver ou não, mas eu acredito que sim; depois que ele bebeu quase todo sangue do Jace, Simon agora pode sair durante o dia, sair no sol. Além do mais, Simon termina com Clary *-* Apesar de achar Maia e Simon fofos juntos, também gosto de Isabelle e Simon ♥ 

Não sei exatamente o que falar sobre a Inquisidora, que consegue deixar todos contra Jace, insinuando que ele era cúmplice de Valentim, sendo que em nenhum momento do livro Jace mostrou confiar em Valentim, pelo contrário, Jace sempre se mostrou ao lado da Clave. Ao lado do que ele acreditava, ao lado dos Lightwood... Então, fiquei com uma certa raiva da Imogen(inquisidora). Ela tecnicamente perseguiu Jace o livro inteiro! 

A história acaba com o encontro de Clary com uma das amigas da sua mãe, que diz saber como reverter o feitiço do coma induzido. 


Como eu já disse, sintam-se livres para comentar e até mesmo criticar. Acredito na teoria que críticas são importantes para melhorar.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Livro: Ovelhas Negras

Ganhei esse livro de amigo secreto no meu antigo trabalho, no PJ. De uma pessoa que eu conhecia desde tinha começado a trabalhar lá, mas como não era no mesmo lugar, não criamos amizade. Mesmo depois que a "criatura" foi trabalhar no mesmo setor que eu, mas em prédios diferentes.
Enfim, sobre a história do livro. Não é uma história, são contos. E foi o primeiro livro que eu li que é nacional. Sinceramente, não eu não terminei de ler os contos. Mas a princípio, gostei, principalmente do conto A maldição de Saint-Marie que não compartilharei com vocês porque se não, vou acabar contando a história. O bom desse livro, é que tu pode levar para uma viagem e ler quando não tem nada pra fazer ou durante a viagem, porque são contos.
Confesso a vocês, que no início eu não sabia porque era censurado; então chegando mais para parte do final do livro, percebi que os contos estavam ganhando novos rumos, e ficando um tanto mais "quentes" comparado ao início do livro.

O livro é do Caio Fernando Abreu, com contos de 1962 a 1995.

Introdução: Nunca pertenci àquele tipo histérico de escritor que rasga e joga fora. Ao contrário, guardo sempre as várias versões de um texto, da frase em guardanapo de bar à impressão no computador. Será falta de rigor?  Pouco me importa. Graças a essa obsessão foi que nasceu Ovelhas Negras, livro que se fez por si durante 33 anos. De 1962 até 1995, dos 14 aos 46 anos, da fronteira com a Argentina à Europa. Não consigo senti-lo - embora talvez venha a ser acusado disse, pois escritores brasileiros geralmente são acusados, não criticados - como reles fundo-de-gaveta, mas sim como uma espécie de autobiografia ficcional, uma seleta de textos que acabaram ficando fora de livros individuais; outros, por mim mesmo, que os condenei por obscenos, cruéis, jovens, herméticos etc.; outros ainda simplesmente não se enquadram na unidade temática ou/e formal que sempre ambicionei em meus livros de contos. Eram e são textos marginais, bastardos, deserdados. Ervas daninhas, talvez, que foi aliás um dos títulos que imaginei. Foram às vezes publicados em antologias, revistas, jornais, edições alternativas. Mas grande parte é de inéditos relegados a empoeiradas pastas dispersas por várias cidades, e que só agora - como pastor eficiente que me pretendo - consegui reunir. Cada como tem seu "o conto do conto", frequentemente mais malucos que o próprio, e essas histórias também entram em forma de miniprefácios. A ordem é quase cronológica, mas não rigorosa: alguns tinham a mesma alma, embora de tempos diversos, e foram agrupados na mesma, digamos, enfermaria. Eram cerca de seiscentas páginas e cem textos, material para uns três rebanhos... O que ficou foi o que me pareceu "melhor", mas esse "melhor"  por vezes é o "pior" - como a arqueológica novela A maldição dos Saint-Marie, melodrama escrito aos quatorze anos. Claro: há autocomplacências, vanguardismos, juvenílias, delírios, lisérgicos, peças-de-museu. Mas jamais o assumiria se, como às minhas outras ovelhas brancas publicadas, não fosse eu capaz de defendê-lo com unhas e dentes contra os lobos maus do bom-gostismo instituído e estéril. Remexendo , e com alergia a pó, as dezenas de pastas em frangalhos, nunca tive tão clara certeza de que criar é literalmente arrancar com esforço bruto algo informe do Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o in ou dis-forme. Afinal, como Rita Lee, sempre dediquei um carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas. ( O Autor-Pastor 1995)

Então, é tudo que tenho a dizer por hora!! É um bom livro para presente.
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